06 março 2016

[Inglaterra/França 2015] 10º dia: Vale do Loire (Castelos de Chenonceau e Villandry)

Segundo e último dia de visitação dos castelos do Vale do Loire. Hoje vamos visitar o Château de Chenonceau e o Château de Villandry.

Ressalto a mesma dica que deixei na postagem anterior: Se você estiver de carro visitando a região, não deixe de configurar o GPS para evitar rodovias pedagiadas, que são as de fluxo mais rápido. As estradas menores que ligam uma cidade à outra são super charmosas e com vistas mais atrativas que grandes rodovias.

A seguir, o relato detalhado deste dia, a comparação entre os gastos estimados e os gastos efetivos e, ao final, minhas rápidas considerações sobre cada um dos cinco castelos visitados em dois dias no Vale do Loire.

ROTEIRO ORIGINAL (Terça-Feira – 29/09/2015):

Château de Chenonceau
Château de Villandry

RELATO DO DIA:

O primeiro castelo do Vale do Loire que iremos visitar hoje é o Château de Chenonceau, que abre cedo, às 9:00. Então, assim como fizemos no dia anterior (veja a postagem sobre o primeiro dia inteiro no Vale do Loire), acordamos cedinho e tomamos café da manhã no próprio hotel, que não está incluído na diária e custa $9,90 euros por pessoa.

Às 8:40 conseguimos sair do hotel em Amboise rumo ao Château de Chenonceau, que fica à uma distância de, aproximadamente, 13km (uns 15 minutos de carro), pela rodovia D81 (não pedagiada). Chegamos ao castelo por volta das 9:00, que possui estacionamento próprio e gratuito.

Compramos nossos ingressos no centro de visitantes, que fica próximo do estacionamento, sendo que cada ingresso custou $12,50 euros. Do centro de visitantes até o castelo existe uma alameda margeada por enormes árvores formando uma espécie de túnel verde! Lindíssimo!

Linda alameda até o Château de Chenonceau.

Primeira visão do Château de Chenonceau.

Château de Chenonceau construído sobre o rio Cher, um dos afluentes do rio Loire.


Assim que entramos no castelo, recebemos um livreto, em português, com um guia de visitação, explicando a história do castelo e de cada ambiente.

A primeira construção do Château de Chenonceau é datada do século XIII. Porém, sua história realmente começa quando Thomas Bohier adquiriu a propriedade em 1513. Bohier e sua esposa Katherine Briçonnet decidiram demolir o antigo castelo preservando apenas a "Torre dos Marques" (nome da família que era dona da propriedade), a qual foi reformada para seguir os padrões estéticos da Renascença. Um novo castelo foi totalmente construído sobre o rio Cher, um dos afluentes do rio Loire, entre os anos de 1515 e 1521.

Em 1535, o Château de Chenonceau foi confiscado pelo Rei Francisco I por conta de dívidas da Família Bohier à Coroa Francesa. Com a morte do Rei Francisco em 1547, seu sucessor, o Rei Henrique II, ofereceu o castelo à sua amante Diane de Poitiers, a qual ordenou a construção de uma ponte interligando o castelo à outra margem do rio Cher. Além disso, mandou construir um jardim anexo ao castelo, que hoje recebe o seu nome. Apesar de todo o investimento de Diane de Poitiers ao Château de Chenonceau, sua propriedade permaneceu à coroa francesa até 1555, quando finalmente Diane recebeu a posse legal do castelo.

Quarto de Diane de Poitiers – a primeira grande dama do Château de Chenonceau.


Após a morte do Rei Henrique II em 1559, sua viúva, Catherine de Médicis, desalojou Diane de Poitier do Château de Chenonceau, oferecendo-lhe em troca o Château de Chaumont-sur-Loire. Catherine tornou o castelo sua residência favorita, fazendo novos investimentos ao local, como a construção de uma galeria sobre a ponte de Diane de Poitiers. A galeria foi inaugurada em 1577 com festas organizadas por Catherine em homenagem a seu filho, o Rei Henrique III. Além disso, Catherine de Médicis ordenou também a construção de um novo jardim, que atualmente leva o seu nome.

No piso superior da galeria, está a nova Galeria Médicis, apresentando uma coleção de pinturas, tapeçarias, móveis e objetos de arte, além de painéis contando a história e curiosidades sobre o Château de Chenonceau.

Catherine de Médicis – a segunda grande dama do Château de Chenonceau - ordenou a construção dessa galeria, utilizada como salão de festas.

Galeria de Médicis, apresentando uma coleção de pinturas, tapeçarias, móveis e objetos de arte.

Painel que apresenta três momentos importantes da construção do Château de Chenonceau.

Vista para o rio Cher a partir do interior do Château de Chenonceau.


Catherine de Médicis faleceu em 1589, passando o Château de Chenonceau para as mãos de sua nora Louise de Lorraine, esposa do Rei Henrique III. Contudo, no mesmo ano, o Rei foi assassinado, fazendo com que Louise entrasse em estado de depressão, com uma vida de recolhimento e preces. Seu quarto no castelo é decorado com cores escuras e símbolos de luto. Louise de Lorraine foi a última representante da realeza a viver no Château de Chenonceau.

Outras damas importantes na história do castelo são:

- Louise Dupin: No século XVIII, por conta de sua influência, conseguiu preservar o castelo contra as ameaças da Revolução Francesa (1789-1799).
- Marguerite Pelouze: Em 1836, gastou uma fortuna para restaurar o castelo à imagem do que era na época de Diane de Poitiers.
- Simone Menier: Enfermeira que, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), administrou o hospital instalado nas duas galerias do castelo que foram reformadas e equipadas graças ao apoio pecuniário de sua família. Até 1918, mais de dois mil feridos foram acolhidos no castelo.

Por contas de todas essas importantes mulheres, o Château de Chenonceau passou a ser conhecido como "O Castelo das Damas".

Depois de visitar a área interna do castelo, fomos visitar os jardins de Diane de Poitiers e de Catherine de Médicis. O jardim de Diane possui 12.000m², enquanto que o de Catherine possui 5.500m².

Detalhe da decoração do jardim de Diane de Poitiers.

Passeando pelo belo jardim de Diane de Poitiers.

Jardim de Diane de Poitiers com o Château de Chenonceau e a Torre dos Marques ao fundo.

Passeando agora pelo jardim de Catherine de Médicis.

Belo jardim de Catherine de Médicis.

Outro ângulo do Château de Chenonceau, visto do jardim de Catherine de Médicis.

Passeando pelo jardim de Catherine de Médicis, com o Château de Chenonceau e a Torre dos Marques ao fundo.


Aproveitamos para almoçar no restaurante self-service que existe na propriedade do Château de Chenonceau, bem próximo do jardim de Catherine de Médicis e da entrada para o castelo. Existem várias opções de refeições rápidas, pegamos massa, hambúrguer com batatas fritas, quiche Lorraine, uma tortinha de limão para a sobremesa e bebidas.

A comida não era nada excepcional, mas saímos satisfeitos. A conta totalizou em $35,60 euros, conforme detalhamento abaixo:

- Ravióli: 9,60
- Hambúrguer com batatas fritas: 9,60
- Quiche Lorraine: 5,20
- Torta de limão: 2,90
- Refrigerante: 4,00
- Garrafa de água (1 litro): 4,30
TOTAL: $35,60

Interior do restaurante self-service existente na propriedade do Château de Chenonceau.

Ravióli com molho vermelho, quiche Lorraine e tortinha de limão.

O clássico hambúrguer com batatas fritas!


Depois do almoço, continuamos nosso passeio pela área externa do Château de Chenonceau. Passamos por um playground para crianças, uma fazenda datada do século XVI e pelo jardim de flores e vegetais. Tudo muito lindo e bem cuidado! Apesar de ser outono, com várias árvores secando, ainda havia flores lindas e coloridas pelo jardim.

Fazenda datada do século XVI, dentro da propriedade do Château de Chenonceau.

Jardim de flores e vegetais dentro da propriedade do Château de Chenonceau.

Apesar do outono, algumas flores ainda estavam lindas e coloridas no jardim.


Deixamos a propriedade do Château de Chenonceau por volta das 13:00 e seguimos para o Château de Villandry, que fica a uma distância aproximada de 45km pela rodovia D140 (não pedagiada), algo em torno de 45 minutos de carro.

Chegamos ao Château de Villandry perto das 14:00. Não existe estacionamento dentro da propriedade, mas é relativamente fácil encontrar vaga na rua principal ou pelas adjacências.

Chegando a Villandry.


Passamos pelo centro de visitantes para comprar nossos ingressos. Como o Château de Villandry é famoso pelos seus belos jardins, é possível comprar ingresso apenas para visitar os jardins (mais barato), sem fazer a visitação pelo interior do castelo. Porém, resolvemos comprar o ingresso completo que custou $10,00 euros cada. O ingresso apenas para os jardins custava $6,50 euros.

Aqui também recebemos um livreto, em português, com um guia de visitação, explicando a história de cada ambiente do castelo e algumas curiosidades. Além do guia do castelo, também recebemos um livreto com o guia de visitação dos jardins.

Entrada para o Château de Villandry.


O Château de Villandry foi construído em 1536 por Jean le Breton, Ministro das Finanças do Rei Francisco I da França, no lugar de uma fortaleza medieval da qual só restou a torre.

O castelo permaneceu na família le Breton por mais de dois séculos. Até que, em 1754, o Marquês de Castellane tomou o castelo e o remodelou conforme os critérios de conforto do século XVIII. Durante a Revolução Francesa, no período de 1789 a 1799, a propriedade foi confiscada e, no início do século XIX, Napoleão Bonaparte a adquiriu para o seu irmão Jérôme Bonaparte.

Em 1906, o Château de Villandry foi comprado por Joachim Carvallo, o qual investiu tempo e dinheiro para reparar a propriedade e construir os jardins ao estilo dos que existiam no século XVI. O castelo continua nas mãos da família Carvallo, sendo o atual proprietário bisneto de Joachim Carvallo.

Sala de jantar do Château de Villandry.

Vista para os jardins, mais especificamente a horta renascentista, a partir do interior do Château de Villandry.

Os jardins decorativos vistos a partir do interior do Château de Villandry.


Achamos o interior do Château de Villandry bem fraquinho, e logo saímos do castelo para finalmente visitar os seus belíssimos jardins. A saída do castelo é feita pelo segundo andar dando acesso direto ao terraço dos jardins.

A área dedicada aos jardins é enorme, e estão divididos em: jardim decorativo, jardim da água, jardim do sol, jardim dos simples, labirinto, horta renascentista e um bosque. Do terraço podemos ter uma bela e ampla vista para os jardins.

Em primeiro plano, a parte do jardim decorativo dedicada ao amor. Ao fundo, a horta renascentista.

Outra parte do jardim decorativo.

Descansando no jardim da água e apreciando a bela paisagem.

Jardins separados por um canal que passa por todo Château de Villandry.

Passeando em meio ao jardim decorativo, com o Château de Villandry ao fundo.


Depois de passear pelos jardins decorativos, entramos no jardim denominado de "horta renascentista", composto por nove quadrados onde estão plantados legumes e flores de cores contrastantes, dando a impressão de um tabuleiro multicolorido.

Entrando na horta renascentista do Château de Villandry.

Passeando pela horta renascentista, com suas cores contrastantes.

Finalizando o passeio pelos jardins do Château de Villandry.


Do imenso jardim, acabamos visitando bem pouco, basicamente o jardim decorativo, o jardim da água e a horta renascentista. Para visitar todos os jardins é preciso muita disposição!

Deixamos o Château de Villandry às 15:20 e pegamos a estrada de volta para Amboise, uma distância aproximada de 40km (cerca de 45 minutos de carro) pelas rodovias não pedagiadas D7 e D952. Este percurso passa por Tours, uma das maiores cidades do Vale do Loire. Não foi um trajeto muito interessante, pois o trânsito em Tours já é mais intenso e há muitos semáforos, principalmente na Avenida Jacques Duclos, o que acabou retardando um pouco a nossa chegada a Amboise (acabamos chegando perto das 16:30).

Como chegamos a Amboise pela rodovia D952, tivemos que cruzar a Pont du Maréchal Leclerc que passa sobre o rio Loire e que proporciona uma bela visão do Château d'Amboise, o qual visitamos no dia anterior.

Chegando a Amboise, cidade às margens do rio Loire. 

Cruzando a Pont du Maréchal Leclerc, com o Château d'Amboise ao fundo.

O Château d'Amboise foi construído em uma elevação de 81 metros do chão.


Antes de voltar ao hotel, resolvemos fazer uma parada rápida no centro da cidade e passar em um supermercado para comprar água e alguns lanchinhos para a viagem de carro no dia seguinte. Encontramos uma vaga na rua Quai du Général de Gaulle, onde tivemos que colocar $0,50 no parquímetro, e fomos rapidinho ao Carrefour City para comprar nossos suprimentos. A conta totalizou em $7,59 euros.

Pegamos o carro e voltamos ao hotel, onde chegamos às 17:00. Deixamos as compras no quarto e resolvemos jantar no restaurante do hotel mesmo, pois não queríamos sair novamente. Pedimos duas pizzas individuais (enormes por sinal... poderíamos ter dividimo uma!), duas taças de vinho e dividimos um crème brûlée de sobremesa, totalizando em $29,30 euros. Tudo estava bastante saboroso.

Pizza individual de pepperoni. Enorme!

Crème brûlée, umas das minhas sobremesas favoritas!


Abaixo, o mapa com os castelos visitados no dia de hoje.




Nossa visita ao Vale do Loire chegou ao fim! Em dois dias inteiros, visitamos cinco castelos: Chambord, Cheverny, Amboise, Chenonceau e Villandry. Fiquei extremamente satisfeita com essas escolhas. Acredite, não foi fácil selecionar apenas cinco castelos. Dizem que são mais de trezentos! Os castelos mais famosos são o de Chambord e o de Chenonceau, por isso tiveram que entrar na lista. Abaixo, vou compartilhar minhas impressões sobre cada castelo visitado.

- Château de Chambord

O castelo por fora impressiona pelo seu tamanho e arquitetura, mas não gostei do seu interior. Passear de bicicleta nos arredores do castelo foi o ponto alto da visita.

- Château de Cheverny

Mais um castelo que me agradou por sua bela arquitetura, apesar de pequenino. O interior do castelo é mobiliado e bem gracioso. Adorei o Jardim dos Aprendizes, local tranquilo e agradável.

- Château d'Amboise

A arquitetura em si do castelo não me agradou tanto, mas fiquei apaixonada por todo o resto! Como o castelo é elevado, a vista que se tem da cidade de Amboise e para o rio Loire é simplesmente linda! A área externa do castelo é grande e com diferentes ambientes e jardins, tudo muito bonito e bem cuidado.

- Château de Chenonceau

Se eu tivesse que escolher apenas um castelo para visitar no Vale do Loire, este definitivamente seria minha opção. A arquitetura do castelo sobre o rio Cher é belíssima. Seu interior é todo mobiliado e decorado, com muitas obras de arte. Os jardins de Diane de Poitiers e de Catherine de Médicis são lindíssimos, assim como os demais espaços da área externa do castelo.

- Château de Villandry

A arquitetura do castelo não me agradou e achei o seu interior bem fraquinho. Porém, a propriedade possui os jardins mais belos dentre os castelos que visitamos. Minha vontade era de simplesmente sentar na grama e ficar apreciando a paisagem por horas. Diante disso, recomendo comprar o ingresso para visitar apenas os jardins, excluindo o interior do castelo.

Amanhã deixaremos o Vale do Loire e seguiremos rumo a Normandia, com o objetivo principal de visitar o espetacular Mont Saint-Michel. Aguardem!

GASTOS DIÁRIOS (em Euros, para o casal):

ESTIMATIVA DE GASTOS GASTOS EFETIVOS ECONOMIA
Alimentação: 100,00 Alimentação: 92,29 7,71
Château de Chenonceau: 12,50x2=25,00 Château de Chenonceau: 25,00 0,00
Château de Villandry: 10,00x2=20,00 Château de Villandry: 20,00 0,00
Estacionamento Amboise: 0,50 -0,50
145,00 137,79 7,21
Saldo Anterior: 1.752,25 / Saldo Atual: 1.614,46 / Economia Geral: 28,66

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